Doença de Crohn

O QUE É A DOENÇA DE CROHN?

A doença de Crohn é um processo inflamatório crónico envolvendo principalmente o trato intestinal. Embora possa atingir qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus, afeta mais frequentemente a última parte do intestino delgado e/ou o intestino grosso. A doença de Crohn é uma situação crónica que pode reaparecer por várias vezes durante a vida. Alguns pacientes têm longos períodos de remissão, algumas vezes por anos, permanecendo livres de sintomas. Não existe como prever quando a remissão pode ocorrer ou quando os sintomas irão reaparecer.

QUAIS SÃO AS CAUSAS E SINTOMAS?

Os principais sintomas incluem diarréia crônica, às vezes com muco ou sangue, dor abdominal, febre e emagrecimento. Os indivíduos podem apresentar também outras manifestações à distância, como dores articulares, aftas, lesões de pele e uma inflamação nos olhos chamada uveíte.

Um sinal freqüente da doença, que aparece em pelo menos 30% de seus portadores, são as fístulas, que são trajetos de comunicação anormais que ligam duas regiões diferentes do intestino ou entre o intestino e órgãos como a bexiga, a superfície da pele, em volta do ânus e a vagina permitindo o transito anormal das fezes.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

A doença de Crohn é crônica e, portanto, não tem cura, mas pode ser adequadamente controlada ao longo de toda a vida do indivíduo com relativo sucesso. Os sintomas, sobretudo a diarréia, costumam ser controlados com medicamentos específicos, sempre sob orientação médica.

O principal objetivo do tratamento é impedir a auto-agressão do sistema imunológico contra o tubo digestivo e tratar o processo inflamatório. Para tanto, usam-se alguns antibióticos e, sobretudo, imunossupressores, ou seja, drogas que reduzem a resposta do sistema imunológico.

Mais recentemente, tem sido também usada a terapia imunobiológica, assim denominada por se tratar da infusão endovenosa de anticorpos que se voltam contra o fator de necrose tumoral (TNF), uma substância que é produzida pelos glóbulos brancos, aumentando a reação inflamatória. Uma vez no organismo, os anticorpos se ligam naturalmente ao TNF, interrompendo sua ação.

Quando nenhum de tais recursos se mostra eficaz, a pessoa pode precisar de cirurgia para retirar a parte inflamada do intestino. Esse expediente pode ser necessário em caso de complicações, como por exemplo, episódios de sangramentos de difícil controle.

Como as causas dessa doença são ainda pouco claras, não há muito que fazer para preveni-la. Evitar o tabagismo, no entanto, constitui uma medida com forte impacto pois, além de diminuir a chance de o indivíduo com mais predisposição para essa moléstia vir a desenvolvê-la, reduz diretamente o risco de outros grandes males, notadamente as doenças cardiovasculares, o câncer de pulmão e diversos outros tipos de câncer.

Recomendação semelhante vale para o consumo de alimentos com muitos corantes, conservantes e agrotóxicos. Hoje é muito difícil viver sem se expor totalmente a tais substâncias, mas trocar o artificial pelo natural, sempre que isso for possível, vai fazer bem, mesmo para quem não é vulnerável a processos inflamatórios crônicos.